Começa hoje o III FIT com a peça ‘Primus’
Começa nesta sexta-feira, dia 09 de setembro, a terceira edição do Festival Internacional de Teatro– FIT, considerado ‘a festa’ do teatro em Dourados. Serão dez dias de arte com 14 apresentações, produções nacionais, boliviana/francesa, peruana e paraguaia.
A primeira apresentação é da Boa Companhia, de Campinas - SP, com o espetáculo PRIMUS, baseado no conto “Comunicado a uma Academia”, de Franz Kafka, que busca refletir sobre o gigantesco percurso da evolução humana. A encenação se insere no que tem sido chamado de teatro físico, uma vez que a aproximação do conto parte de uma perspectiva fortemente centrada no trabalho corporal. Há também o uso de recursos visuais de projeção de imagem (slides), do canto e da percussão ao vivo.
AS apresentações do III FIT acontecerão no Teatro Municipal, localizado no Parque dos Ipês, às 20h, com ingressos a preços populares, R$ 5,00 e R$ 10,00, além de muitas apresentações gratuitas na Feira Livre e em outros lugares.
O Festival Internacional de Teatro – FIT é uma realização da UFGD em parceria com o IDAC e conta com patrocínio da Caixa Econômica Federal.
PRIMUS
PRIMUS conta a história de um macaco que, para garantir seu lugar ao sol, aprende a ser homem e torna-se um pop star do show business.
O espetáculo levanta questões relativas à superioridade do humano frente à natureza, os limites entre natureza e cultura, entre necessidade e liberdade, são alguns dos questionamentos trazidos pelo conto. Fechando mais o foco, a solução encontrada pelo personagem – entrar para o teatro de variedades – apresenta-se como uma ironia.
Ele traz à tona as contradições próprias da profissão: o ator como um “macaco amestrado”, como um objeto de curiosidade versus a inversão de poder quando se alcança a fama. Ou ainda, a dificuldade de manter-se crítico à nossa realidade e ao mesmo tempo viver da nossa arte. Primus é a tentativa de traduzir para a cena essas inquietações, magistralmente exploradas por Kafka.
A base gestual tem como ponto de partida o estudo das estereotipias de primatas em cativeiro, por meio de observações no Zoológico e registros em vídeo; o trabalho vocal parte da linguagem não articulada, caminhando para a palavra, passando por canções do music-hall até chegar à alta codificação do canto lírico; e as imagens que compõem parte do cenário procuram captar as dissonâncias entre a harmonia do mundo natural versus a desarmonia do mundo civilizado.
A percussão busca nos ritmos primitivos africanos e no trabalho de livre improvisação, construir climas sonoros que hora conduzem a cena, hora oferecem apenas uma sustentação rítmica para ela. A montagem busca no diálogo entre essas três linguagens transpor para a cena os temas que a Companhia considera fundamentais no conto de Kafka.
BOA COMPANHIA
A Boa Companhia atua desde 1992, tendo como proposta a pesquisa da linguagem cênica a partir do trabalho do ator. São profissionais da área teatral dispostos não só a apresentar suas montagens teatrais e performances, como também trabalhar junto a instituições na área educacional (cursos e oficinas de montagens) e de entretenimento. Com este intuito, vem norteando a sua atuação através da pesquisa, intercâmbio e a férrea vontade de expandir os horizontes através da arte. Exibe um currículo eclético, com montagens que vão de Shakespeare a Qorpo Santo, passando por Nelson Rodrigues, Samuel Beckett além de adaptações de textos literários de autores como Guimarães Rosa e Franz Kafka.
