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15/05/2012

Palestrante defende que saber mais sobre as religiões Afro combate o preconceito

A Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), por meio do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros, realiza até 16 de maio o “V Seminário Racismo e Antirracismo” com palestras que debatem principalmente o combate a discriminação nas escolas.

 

Na abertura da programação, com o tema “Afrodescendentes e Discriminação”, o Prof. Dr. Sergio Paulo Adolfo (UEL) alertou, na noite desta segunda-feira (14), para a necessidade da promoção de trocas culturais em sala de aula, respeitando a cultura que o aluno traz de casa e oferecendo a cultura acadêmica, ao invés de apenas impor uma cultura como melhor que outra.

As trocas culturais são importantes já que o preconceito religioso está entre as dificuldades que os professores estão encontrando para obedecer a Lei 10.639, sobre ensino da "História e Cultura Afro-Brasileira". Por serem fieis de determinada religião, muitos não conseguem falar das demais sem preconceitos.

Essa limitação prejudica a abordagem sobre a cultura, constituída pelas manifestações artísticas, sociais, linguísticas e comportamentais de um povo, inclusive a religião. “Não tem como falar da literatura, por exemplo, sem falar da religião”, afirmou Sergio Adolfo.

Para que os educadores se tornem mais isentos quando tratarem das religiões afro-brasileiras, o palestrante a conceituou a religião como um dado cultural, não algo deixado por Deus, mas inventado pelos humanos, que por serem seres transcendentais, precisam de algo além do material, do cotidiano. Assim, “os pescadores criaram o Deus dos rios, enquanto os coletores criaram o Deus da floresta”.

Já a manifestação dessas religiões seria o comportamento do religioso para chegar a esse Deus, seja por mantras, atabaques, cantos ou palavras, de acordo com a cultura do grupo.

RAÇA E RELIGIÃO

Para Sergio Adolfo, a questão racial é difícil de ser desvinculada da questão religiosa. As duas caminham juntas na sedimentação do preconceito. “É preconceito pela cor e preconceito pela opção religiosa. Mesmo se a cidadão não for ‘preto macumbeiro’, for evangélico ou católico, ainda será discriminado”.

Nesse sentido, apresentar as religiões afro-brasileiras colaboraria para combater o preconceito, que é um juízo pré-concebido sobre algo desconhecido. Conhecer as religiões ajudaria a responder a base do preconceito, que é a ignorância.

Mais especificamente quanto aos motivos do preconceito frente às religiões afro-brasileiras, o palestrante listou também os seguintes: o fato de não serem religiões cristãs; de fazerem uso do sacrifício ritual; de serem praticadas pelas classes populares (maioria negros e pobres); de cultuarem Exu e Pomba-Gira em suas várias modalidades; de usarem o canto e a dança, práticas estranhas aos cristãos ocidentais; de desconhecerem os conceitos de culpa e pecado eterno; de não prometerem o céu (o homem deve ser feliz aqui e agora); de não discriminarem pessoas ou situações (gays, prostitutas e outros marginalizados são aceitos em sua condição); E de praticarem a magia e comunicação com os mortos.

Para introduzir o ensino dessas religiões em sala de aula, ele orienta o professor a não destacar justamente os aspectos que considera negativo, a tratar o tema com naturalidade (da mesma forma que faz com as religiões cristãs), a inserir, sempre que possível, a temática no conjunto das atividades disciplinares e a levar em conta a multiculturalidade do Brasil representado na sala de aula.

MAIS INFORMAÇÕES

Trechos da apresentação de slides da palestra de Sergio Adolfo:

Povos que trouxeram a base das religiões afro-brasileiras:

-Vieram, ao longo de todo o período de escravidão, povos de várias regiões do continente Africano

-Vieram, majoritariamente, povos pertencentes ao grupo Sudanês e grupo Bantu

Povos Sudaneses:

- Habitam na costa oeste do continente Africano

- Foram chamados no Brasil de: Nagôs e Geges.

- Os Nagôs falam a língua Iorubá

- Os Geges falam a língua Fon

Quem são os Nagôs

- Os Nagôs vivem nos países: Nigéria, Togo e Benin.

Quem são os Geges

- Os Geges hoje vivem no país de Benin, antigo Daomé, e no Togo

Legado religioso Nagô

- Os Nagôs nos legaram as seguintes formas religiosas: Candomblé, Xangô do Nordeste e Batuque Gaúcho.

Legado religioso Gege

- Candomblé Gege, Nagô Vodum e Casa das Minas do Maranhão

Crenças Nagôs e Geges

- Nagôs: Olorum (o deus criador), os Orixás e os Ancestrais

- Geges: Olorum (o deus criador), os Voduns e os Ancestrais

Povos Bantu

- Vivem no Centro Sul Africano

- Foram chamados no Brasil de: Congos, Angolas, Muxicongos, Cassanges, etc

- Falavam principalmente as línguas Kimbundo e Kikongo, que modificaram o Português do Brasil

Quem são os Bantu

- Constituem os povos que habitam os países de: Angola, Congo Brazzaville e Congo Kinhasa, Moçambique, República Sul Africana, África do Sul e outros.

Legado religioso Bantu

- Candomblé de Congo-Angola e Umbanda

Crença dos Bantus

- Nzambi Ampungo (o deus criador), Nkissi e os Antepassados.

- Os Antepassados no Brasil são cultuados na forma de Caboclos e Pretos-Velhos na Umbanda, e de Caboclos e Marinheiros no Candomblé de Angola

Pontos comuns entre as Religiões Afro-brasileiras

- São religiões de transe, creem nas forças da natureza (Orixás, Voduns e Nkissis), cultuam os Ancestrais, praticam o sacrifício ritual de animais, usam folhas, frutos e comidas para suas práticas rituais.

 

MATERIAIS DISPONÍVEIS NO SITE DA UFGD

Alguns conteúdos contidos nestes arquivos: - Cultura afro-brasileira - Questões de gênero - Questões raciais - Políticas públicas - Educação - Livros e coleções - etc. Relação completa em: http://www.ufgd.edu.br/reitoria/neab/downloads .

"Raça" e Desigualdade: as diversas interpretações sobre o papel da raça na construção da desigualdade social no Brasil - Márcio Mucedula Aguiar

A construção das hierarquias sociais: classe, raça, gênero e etnicidade - Márcio Mucedula Aguiar

A especificidade da Ação Afirmativa no Brasil - Márcio Mucedula Aguiar

Cidadania, identidade e multiculturalismo - Márcio Mucedula Aguiar

Desigualdades raciais no Brasil: Um balanço da intervenção governamental – Jacoudd & Beghin. .

Povo Negro (A cinderela negra) – Peter Fry.

Orientações e Ações para a Educação das Relações Étnico-Raciais – Ministério da Educação.

Trajetórias escolares, corpo negro e cabelo crespo: reprodução de estereótipos ou ressignificação cultural?- Nilma Lino Gomes.

O sistema de cotas nas universidades públicas e a diminuição das desigualdades sociais: um estudo de caso da Universidade de Brasília (UnB) - MARIA DIVINA ALMEIDA DE BRITO.

POLÍTICAS INCLUSIVAS E COMPENSATÓRIAS NA EDUCAÇÃO BÁSICA - CARLOS ROBERTO JAMIL CURY.  

AÇÃO AFIRMATIVA NO ENSINO SUPERIOR: ENTRE A EXCELÊNCIA E A JUSTIÇA RACIAL - SABRINA MOEHLECKE.

AÇÕES AFIRMATIVAS DA PERSPECTIVA DOS DIREITOS HUMANOS - FLAVIA PIOVESAN

IDENTIDADE NEGRA - Pesquisas Sobre o Negro e a Educação no Brasil. Vários autores.

Ações afirmativas e combate ao racismo nas Américas - Coleção educação para todos – Vários autores.

Quilombos, Cabixis e Caburés: índios e negros em Mato Grosso no século XVIII - Maria Fátima Roberto Machado / Deptoº de Antropologia – UFMT

História da educação do negro e outras histórias – Ministério da Educação.

Diversidade na educação: como indicar as diferenças? – Ministério da Educação.

Relações raciais na escola: reprodução de desigualdades em nome da igualdade - coordenação de Miriam Abramovay e Mary Garcia Castro.

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