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23/11/2012

Aquaponia: produção integrada de peixes e hortaliças com sustentabilidade

Vários produtores rurais de Mato Grosso do Sul estão procurando a Universidade Federal da Grande Dourados em busca de mais informações sobre o projeto de aquaponia, um sistema de criação de peixes e de hortaliças idealizado por professores, e que foi divulgado recentemente em um programa de TV (clique aqui para ver a matéria).

O engenheiro agrícola Rodrigo Jordan, o engenheiro agrônomo Luciano Geisenhoff, e a médica veterinária Fabiana Cavichiolo são os responsáveis pelo projeto chamado aquaponia. Trata-se de uma estufa sob a qual ficam 10 caixas d’água com 500 litros. Em cada caixa uma há entre 90 a 130 peixes. As caixas estão conectadas através de um sistema de canos, que usa a gravidade para fazer a água circular sem parar.

Em cada caixa é instalado um cano que serve para manter o nível da água, ou impedindo que transborde. Essa água excedente é direcionada para um sistema de limpeza. O primeiro filtro é uma caixa d’água onde há pedras brita e uma peneira, e aí são retiradas as impurezas mais sólidas.

A água segue para um segundo filtro, uma caixa onde há mais cascalhos. Uma bomba puxa a água do segundo para o terceiro filtro, que é feito de cascalhos enrolados em sombrite. “Esse filtro biológico é um habitat perfeito para a procriação de bactérias, que se alimentam dos detritos que sobraram depois do primeiro e do segundo filtro. Essas bactérias tiram a amônia da água, tornando-a adequada a voltar para o sistema”, explica Elton Giordano, estudante de engenharia agrícola.

Depois de passar pelos três filtros, a água volta, para ser lançada sobre as caixas d’água onde estão sendo criados os peixes. A queda da água gera oxigenação, melhorando as condições para o crescimento dos animais.

 

Dejetos viram nutrientes

No fundo das caixas d’água, no nível do solo, é instalado outro cano com uma válvula de descarga que, quando aberta, faz a limpeza dos dejetos e restos depositados no fundo.

Abrindo essa descarga se faz a limpeza das caixas duas vezes por dia, e de forma muito rápida e simples. Apenas com força da gravidade, os canos levam os dejetos para um reservatório de 1000 litros. Os detritos voltam a se acumular no fundo do reservatório, enquanto na parte de cima fica a água com menor concentração de sólidos.

Os dejetos do fundo são bombeados para um biodigestor, onde ficam por sete dias em tratamento. Já a água residuária é encaminhada para outra caixa, que abastece o sistema de aquaponia.

O sistema de cultivo de hortaliças é simples: sobre telhas de fibrocimento, popularmente conhecidas como Eternit, são colocadas pedras britas, e nelas são plantadas mudas de alface com quinze dias após a semeadura. Essas mudas são irrigadas com uma mistura formada pela água residuária e o biofertilizante que sai do biodigestor. O sistema de irrigação é automatizado, passa meia hora gotejando sobre as telhas e mais meia hora sem circulação de água.

“A questão chave do biodigestor hoje é o biofertilizante, que vale mais do que tudo. Porque o processo de biodigestão solubiliza os micronutrientes”, explica Rodrigo. “Se jogar os dejetos do peixe in natura ali não funcionaria, viraria uma esterqueira, ia queimar as plantas ao invés de nutri-las”, exemplifica Luciano.

A professora Fabiana enfatiza a importância da produção de biofertilizante: “Na hidroponia teria um alto custo, que seria aplicar nutrientes para a planta crescer. Aqui a gente está utilizando como fertilizante o que seria a poluição da criação do peixe. Você consegue transformar o que seria carga poluente em nutrição para planta”.

E a planta devolve o benefício para os peixes. “Depois de passar pela alface, a água fica quase sem amônia, e já fica adequada para voltar para os peixes”, relata o estudante Elton.

 

Os resultados

Do ponto de vista ambiental, o projeto é altamente sustentável. “Esse sistema não está desviando a água de um rio, não está jogando efluentes na água, não tem o perigo de uma espécie exótica como a tilápia escapar para os rios da região”, avalia Rodrigo.

Outro impacto positivo é a economia de água. Enquanto num sistema convencional se utiliza 16 mil litros para produzir um quilo de peixe, na aquaponia são só 200 litros por quilo de peixe. Além disso, a água com os dejetos dos peixes não é jogada na natureza, como ocorre no sistema convencional de produção.

A produtividade da aquaponia também é muito maior se comparado aos sistemas tradicionais tanto de criação de peixe quanto de cultivo de hortaliça. O cultivo tradicional de alface produz 50 toneladas por hectare, na aquaponia seriam 300 toneladas no mesmo espaço. Além disso, na aquaponia a colheita é feita a cada 30 dias, o que demoraria 45 dias no modo normal.

Em relação aos peixes, o ciclo de produção diminui de 6 meses a um ano para apenas quatro meses. “Como a gente consegue controlar a temperatura, mantendo entre 26 e 28°C, o peixe tem um desempenho bem melhor. O peixe é pecilotérmico, então abaixo de 24°C, ele já diminui o metabolismo, abaixo de 20 °C ele não come mais e pára de crescer”, explica a professora Fabiana.

Quanto à manutenção do sistema, mais vantagens. Alimentação dos peixes é feita três vezes ao dia, e a descarga para limpeza é feita depois da alimentação da manhã e da tarde. O restante do processo é todo automatizado. O investimento mensal também é baixo: apenas o custo da ração e da energia usada para bombear a água entre os filtros e os tanques de criação e, do reservatório para o biodigestor.

O próximo passo é um gerador que vai utilizar o biogás para gerar energia elétrica “Aqui a gente depende de energia em todo sistema e é bem melhor você ser gerador de energia do que consumidor”, avalia Rodrigo.

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