Histórico
A primeira comissão de elaboração deste projeto pedagógico do curso de Engenharia Agrícola foi constituída em 2007, por professores do curso de Agronomia, da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Federal da Grande Dourados, tendo como presidente um Engenheiro Agrícola. Era composta dos seguintes membros: Prof. Dr. Cristiano Márcio Alves de Souza; Profa. Dra. Leidy Zulys Leyva Rafull; Profa. Dra. Paula Pinheiro Padovese Peixoto; Prof. Dr. Sílvio Bueno Pereira e Profa. Dra. Yara Brito Chaim Jardim Rosa.
Em 2008 a comissão foi reestruturada para atender as exigências do REUNI, ficando composta pelos seguintes docentes: Prof. Dr. Guilherme Augusto Biscaro; Prof. Dr. Cristiano Márcio Alves de Souza e Profa. Dra. Leidy Zulys Leyva Rafull.
A criação do curso de Engenharia Agrícola no Brasil, na década de 70, foi um marco histórico para a formação plena de profissionais com competências e habilidades direcionadas para o uso sustentado dos recursos agrícolas, pecuários e florestais, com aplicação direta de engenharia.
A implantação do curso ocorreu em várias partes do país, a partir de discussões que começaram em meados de 1960 sobre a necessidade de desenvolver trabalhos de ensino, pesquisa e extensão em Engenharia Agrícola. Resultados de reuniões designadas como Workshops on Science and Technology in Development, patrocinados pelo CNPq e pela US National Academy of Science, definem como razões para a criação de cursos de Engenharia Agrícola no Brasil: debilidade dos cursos de Agronomia nas ciências de engenharia aplicada à agricultura; pouca pesquisa desenvolvida em Engenharia Agrícola no Brasil; poucos engenheiros com qualificação em Engenharia Agrícola no Brasil; disciplinas de Engenharia Agrícola nas escolas de agricultura com orientação para área biológica e não para ciências físicas; inexistência de pessoal treinado e áreas de especialização em Engenharia Agrícola; e, falta de embasamento dos candidatos brasileiros na pós-graduação em Engenharia Agrícola nos Estados Unidos.
Na região Centro-oeste existe dois cursos que graduam engenheiros agrícolas, que estão lotados na Universidade Estadual de Goiás e na Universidade Federal de Mato Grosso. No estado de Mato Grosso do Sul, nessa área não há curso desta natureza, limitando-se o ensino das Ciências Agrárias aos cursos de Agronomia e Zootecnia. Assim, iniciativas no sentido de ampliar a capacidade instalada de vagas em cursos de graduação na área de Engenharia Agrícola são bem-vindas, por ser uma das vocações regionais.
A implantação do Curso de Engenharia Agrícola na Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) assegura a efetiva interiorização da universidade pública, numa das regiões mais produtora de produtos agropecuários do Centro-Oeste do Brasil, possibilitando à UFGD assumir, de fato, em atendimento ao dispositivo constitucional, o lugar e os meios de se tornar agente solidário da sociedade sul-mato-grossense e brasileira.
Um projeto moderno para um Curso de Engenharia Agrícola precisa conter um Projeto Político Pedagógico que tenha a inserção de aspectos regionais, mas que seja também pautado pelas necessidades das suas atividades em desenvolvimento contínuo no Brasil e no mundo, como o proposto pela UFGD.
O curso de Engenharia Agrícola da UFGD, embora possa e deva se basear em outros cursos tradicionais, como o de renomadas instituições de ensino brasileiras e estrangeiras, contempla as necessidades de formação de um profissional que possa administrar a demanda por produtos de qualidade, com base em conceitos conservacionistas, por tecnologias e energias alternativas, preparado, portanto, para atender às necessidades sociais do estado de Mato Grosso do Sul.
Consolidado em países da Europa, Estados Unidos e Canadá, o curso de Engenharia Agrícola ainda não é suficientemente conhecido pelos estudantes do ensino médio no Brasil. Na maioria das vezes, a Engenharia Agrícola é confundida com a Agronomia e os estudantes tendem a acreditar que a atuação dos profissionais seja idêntica nas duas áreas. Essa idéia, entretanto, não é verdadeira. Embora haja alguns pontos em comum, as duas carreiras têm enfoques distintos. O profissional formado em Agronomia tem como base as ciências biológicas para o estudo e aprimoramento de plantas e animais assim como do solo nas operações de cultivo e no combate a pragas e doenças. Já o engenheiro agrícola recebe uma formação que tem como base as ciências exatas, como as engenharias tradicionais ainda que façam parte do currículo do curso disciplinas com ênfase nas áreas social, econômica e ambiental.
A Engenharia Agrícola é a profissão que busca solucionar problemas que afetam o desenvolvimento do agronegócio e do homem do campo, fornecendo soluções de engenharia necessárias ao aumento de produtividade, diminuição de custos, a preservação e a conservação dos recursos naturais envolvidos. No setor agrícola, as demandas ocorrem com evolução intensa e complexa, exigindo sempre mais dos profissionais que neles atuam. Neste contexto, existe a necessidade de profissionais com conhecimento científico e tecnológico para solucionar problemas relacionados a sistemas agrícolas, agropecuários e agroindustriais.
As atividades do profissional formado pela UFGD incluem o diagnóstico, o planejamento, o projeto, a avaliação de impactos ambientais e sociais, decorrentes de sistemas envolvendo energia, transporte, estruturas e equipamentos nas áreas de irrigação e drenagem, construções rurais e ambiência, eletrificação, máquinas e implementos agrícolas, agricultura de precisão, mecanização, automação e otimização de sistemas, processamento e armazenamento de produtos agrícolas. O profissional atuará também no controle da poluição, na conservação e no planejamento ambiental, na gestão de recursos hídricos, na análise de susceptibilidade e vocações naturais do ambiente, na elaboração de estudos de impactos ambientais, proposição, implementação e monitoramento de medidas mitigadoras e ações ambientais, bem como no manejo e tratamento de resíduos gerados pelos processos agrícolas, agropecuários e agroindustriais.
O avanço tecnológico ocorrido nas áreas de Ciências Agrárias e Ambientais, e das Engenharias provocou o desenvolvimento da Engenharia Agrícola, como única opção de profissionais aptos a solucionar e responder muitos questionamentos sobre a aplicação de engenharia propriamente dita na agropecuária. Enfim, o profissional de Engenharia Agrícola possui uma sólida base de engenharia com aplicação focada na solução dos problemas técnicos e ambientais do agronegócio brasileiro.
A oportunidade de mercado de trabalho para o engenheiro agrícola existente na região Centro-oeste já é uma realidade para os profissionais formados em outras regiões do País, devido a inexistência de profissionais formados nesta região.
Coordenadores de curso:
- Janeiro de 2009 até dezembro de 2010: Prof. Dr. Guilherme Augusto Biscaro
- Desde dezembro de 2010: Prof. Dr. André Luís Duarte Goneli
