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Engenharia de Produção

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Histórico

A história da Engenharia de Produção no Brasil está relacionada ao recente (e tardio) desenvolvimento industrial nos anos 1950. Em um primeiro momento (décadas de 1960 a 1980), a EP esteve muito atrelada os modelos dos cursos de Engenharia Industrial dos EUA e Reino Unido - a explicação reside no fato de que a EP efetivamente tenha surgido a partir da estruturação dos sistemas de produção na Revolução Industrial dos anos 1780, contribuindo com a programação da produção e o estudo do arranjo físico e da distribuição de máquinas/equipamentos.

No início da década de 1830, Charles Babbage publicou o livro The Economy of Machinery and Manufactures, que aborda assuntos importantes da "embrionária" Industrial Engineering. Nos EUA, no período de 1880 a 1910, é que a Engenharia Industrial foi estruturada com base nos trabalhos de Frederick Winslow Taylor, do casal Frank e Lillian Gilbreth, de Henry Gantt e Harrington Emerson, considerados precursores da Engenharia de Produção - inicialmente, o movimento Scientific Management (conjunto de conhecimentos desenvolvidos por esses autores) teve grande impacto nas empresas norte-americanas e, posteriormente, no mundo como um todo, possibilitando a rápida evolução da Engenharia Industrial (denominação da EP nos EUA e Europa) e consolidando a "era da produção em massa".

Sistematicamente por todo o século XX, a Engenharia de Produção procurou responder às demandas ligadas ao complexo gerenciamento dos sistemas produtivos. No Brasil, os métodos da Administração Científica foram difundidos em empresas industriais e de serviço público pelo Instituto de Organização Racional do Trabalho (IDORT) no período 1930-1950. Para estruturar funções administrativas em empresas nacionais (governamentais e privadas) e com a rápida instalação de multinacionais em meados de 1950, notou-se a ausência de profissionais que desempenhassem atividades típicas do engenheiro industrial, como estudos do trabalho (tempos e métodos), inspeção/controle da qualidade e planejamento/controle da produção, dentre outras. Naturalmente, o mercado de trabalho passou a demandar profissionais que ainda não eram formados pelas universidades e faculdades de engenharia dessa época.

Em 1958 foi criada a modalidade em Engenharia de Produção para o curso de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (POLI/USP) – já em 1963 essa modalidade se transformaria no primeiro curso de EP do Brasil. O Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) de São José dos Campos/SP criou em 1959 o curso de graduação em EP (que foi descontinuado). Em 1963, a Faculdade de Engenharia Industrial (FEI) de São Bernardo do Campo/SP (um dos primeiros pólos industriais brasileiros) pôs em funcionamento o curso de graduação em Engenharia Industrial – que é correlata à EP.

No ensino de pós-graduação em Engenharia de Produção, os primeiros cursos stricto sensu foram criados em 1966 e 1967, respectivamente pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ) e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Outros cursos de pós-graduação em EP entraram em funcionamento em 1968 (POLI/USP) e em 1969 (Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC).

Em 1977, o Conselho Federal de Educação (CFE) através da Resolução 10/77 determinou que os cursos de graduação em Engenharia de Produção formariam profissionais com habilitação em uma das cinco grandes áreas da engenharia: mecânica, química, elétrica, metalúrgica e civil. Em 1997, a Associação Brasileira de Engenharia de Produção (ABEPRO) lançou o documento denominado “Engenharia de Produção: grande área e diretrizes curriculares” (que viria a ser modificado em maio de 2001), que destacou a necessidade da criação da grande área de Engenharia de Produção (bem como o respectivo curso de graduação com bases científicas e tecnológicas próprias).  Além disso, esse documento apresentou o perfil desejado para o engenheiro de produção em termos de suas competências/habilidades e também as diretrizes curriculares recomendadas para os cursos de graduação plena em EP no Brasil – estipulando que as disciplinas devem versar sobre os processos de produção discretos e contínuos, automação e planejamento de processos.

Somente em 2004, o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CONFEA) reconheceu na categoria profissional da Engenharia a modalidade Produção. A partir de então, busca-se a formação de um engenheiro de produção através da graduação plena, e não mais em uma habilitação de outra área tradicional da Engenharia, visando preparar o egresso com uma formação mais abrangente e menos concentrada em aspectos técnicos inerentes a um determinado segmento de atuação. Então, em 2005, o CONFEA através da Resolução 1010/05 reconhece na Modalidade Industrial a categoria profissional do engenheiro de produção como "engenheiro pleno", estabelecendo seus campos de atuação profissional, que mantêm similaridade com as áreas e respectivas subáreas da EP definidas pela Associação Brasileira de Engenharia de Produção (ABEPRO), que são:

 

1. ENGENHARIA DE OPERAÇÕES E PROCESSOS DE PRODUÇÃO

Projetos, operações e melhorias dos sistemas que criam e entregam os produtos (bens ou serviços) primários da empresa.

1.1. Gestão de Sistemas de Produção e Operações

1.2. Planejamento, Programação e Controle da Produção

1.3. Gestão da Manutenção

1.4. Projeto de Fábrica e de Instalações Industriais: organização industrial, layout/arranjo físico

1.5. Processos Produtivos Discretos e Contínuos: procedimentos, métodos e seqüências

1.6. Engenharia de Métodos

 

2. LOGÍSTICA

Técnicas para o tratamento das principais questões envolvendo o transporte, a movimentação, o estoque e o armazenamento de insumos e produtos, visando a redução de custos, a garantia da disponibilidade do produto, bem como o atendimento dos níveis de exigências dos clientes.

2.1. Gestão da Cadeia de Suprimentos

2.2. Gestão de Estoques

2.3. Projeto e Análise de Sistemas Logísticos

2.4. Logística Empresarial

2.5. Transporte e Distribuição Física

2.6. Logística Reversa

 

3. PESQUISA OPERACIONAL

Resolução de problemas reais envolvendo situações de tomada de decisão, através de modelos matemáticos habitualmente processados computacionalmente. Aplica conceitos e métodos de outras disciplinas científicas na concepção, no planejamento ou na operação de sistemas para atingir seus objetivos. Procura, assim, introduzir elementos de objetividade e racionalidade nos processos de tomada de decisão, sem descuidar dos elementos subjetivos e de enquadramento organizacional que caracterizam os problemas.

3.1. Modelagem, Simulação e Otimização

3.2. Programação Matemática

3.3. Processos Decisórios

3.4. Processos Estocásticos

3.5. Teoria dos Jogos

3.6. Análise de Demanda

3.7. Inteligência Computacional

 

4. ENGENHARIA DA QUALIDADE

Planejamento, projeto e controle de sistemas de gestão da qualidade que considerem o gerenciamento por processos, a abordagem factual para a tomada de decisão e a utilização de ferramentas da qualidade.

4.1. Gestão de Sistemas da Qualidade

4.2. Planejamento e Controle da Qualidade

4.3. Normalização, Auditoria e Certificação para a Qualidade

4.4. Organização Metrológica da Qualidade

4.5. Confiabilidade de Processos e Produtos

 

5. ENGENHARIA DO PRODUTO

Conjunto de ferramentas e processos de projeto, planejamento, organização, decisão e execução envolvidas nas atividades estratégicas e operacionais de desenvolvimento de novos produtos, compreendendo desde a concepção até o lançamento do produto e sua retirada do mercado com a participação das diversas áreas funcionais da empresa.

5.1. Gestão do Desenvolvimento de Produto

5.2. Processo de Desenvolvimento do Produto

5.3. Planejamento e Projeto do Produto

 

6. ENGENHARIA ORGANIZACIONAL

Conjunto de conhecimentos relacionados à gestão das organizações, englobando em seus tópicos o planejamento estratégico e operacional, as estratégias de produção, a gestão empreendedora, a propriedade intelectual, a avaliação de desempenho organizacional, os sistemas de informação e sua gestão e os arranjos produtivos.

6.1. Gestão Estratégica e Organizacional

6.2. Gestão de Projetos

6.3. Gestão do Desempenho Organizacional

6.4. Gestão da Informação

6.5. Redes de Empresas

6.6. Gestão da Inovação

6.7. Gestão da Tecnologia

6.8. Gestão do Conhecimento

 

7. ENGENHARIA ECONÔMICA

Formulação, estimação e avaliação de resultados econômicos para avaliar alternativas para a tomada de decisão, consistindo em um conjunto de técnicas matemáticas que simplificam a comparação econômica.

7.1. Gestão Econômica

7.2. Gestão de Custos

7.3. Gestão de Investimentos

7.4. Gestão de Riscos

 

8. ENGENHARIA DO TRABALHO

Projeto, aperfeiçoamento, implantação e avaliação de tarefas, sistemas de trabalho, produtos, ambientes e sistemas para fazê-los compatíveis com as necessidades, habilidades e capacidades das pessoas visando a melhor qualidade e produtividade, preservando a saúde e integridade física. Seus conhecimentos são usados na compreensão das interações entre os humanos e outros elementos de um sistema. Pode-se também afirmar que esta área trata da tecnologia da interface máquina - ambiente - homem - organização.

8.1. Projeto e Organização do Trabalho

8.2. Ergonomia

8.3. Sistemas de Gestão de Higiene e Segurança do Trabalho

8.4. Gestão de Riscos de Acidentes do Trabalho

 

9. ENGENHARIA DA SUSTENTABILIDADE

Planejamento da utilização eficiente dos recursos naturais nos sistemas produtivos diversos, da destinação e tratamento dos resíduos e efluentes destes sistemas, bem como da implantação de sistema de gestão ambiental e responsabilidade social.

9.1. Gestão Ambiental

9.2. Sistemas de Gestão Ambiental e Certificação

9.3. Gestão de Recursos Naturais e Energéticos

9.4. Gestão de Efluentes e Resíduos Industriais

9.5. Produção mais Limpa e Ecoeficiência

9.6. Responsabilidade Social

9.7. Desenvolvimento Sustentável

 

10. EDUCAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO

Universo de inserção da educação superior em engenharia (graduação, pós-graduação, pesquisa e extensão) e suas áreas afins, a partir de uma abordagem sistêmica englobando a gestão dos sistemas educacionais em todos os seus aspectos: a formação de pessoas (corpo docente e técnico administrativo); a organização didático pedagógica, especialmente o projeto pedagógico de curso; as metodologias e os meios de ensino/aprendizagem. Pode-se considerar, pelas características encerradas nesta especialidade como uma "Engenharia Pedagógica", que busca consolidar estas questões, assim como, visa apresentar como resultados concretos das atividades desenvolvidas, alternativas viáveis de organização de cursos para o aprimoramento da atividade docente, campo em que o professor já se envolve intensamente sem encontrar estrutura adequada para o aprofundamento de suas reflexões e investigações.

10.1. Estudo da Formação do Engenheiro de Produção

10.2. Estudo do Desenvolvimento e Aplicação da Pesquisa e da Extensão em Engenharia de Produção

10.3. Estudo da Ética e da Prática Profissional em Engenharia de Produção

10.4. Práticas Pedagógicas e Avaliação Processo de Ensino-Aprendizagem em Engenharia de Produção

10.5. Gestão e Avaliação de Sistemas Educacionais de Cursos de Engenharia de Produção

 

A operacionalização do curso de graduação em Engenharia de Produção dentro da Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia (FACET) foi possível devido à criação da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) através do desmembramento da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) em 2006 (Lei 11.153 de 29 de Julho de 2005). A partir desse novo delineamento da educação universitária pública sul-matogrossense, buscou-se ressaltar a importância para a sociedade brasileira da formação de engenheiros de produção para atuarem em diversos setores econômicos, sobretudo em consonância com as grandes perspectivas de desenvolvimento econômico e social da chamada "Região do Cone Sul", onde o curso de EP da UFGD é indispensável ao projeto, controle e organização de diversos sistemas de produção de bens/serviços.

Desde sua concepção em 2006, o curso de Engenharia de Produção da UFGD busca a formação de "engenheiro de produção pleno", que se destaca por ser um profissional de visão generalista, mas também preparado para se envolver em aspectos organizacionais mais complexos como a delimitação de estratégias e a gestão de recursos empresariais das diferentes cadeias produtivas presentes na região da Grande Dourados, no Estado de Mato Grosso do Sul e, fundamentalmente, no Brasil e no mundo.

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