Histórico
O histórico do Curso de Economia é recente, pois o mesmo foi criado no ano de 2009. Porém, o contexto regional em que ele se insere fortalece a sua existência, assim como a necessidade de sua presença na UFGD e na Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Economia (FACE).
Contexto Regional
A partir da primeira metade do século XIX, a economia do Estado do Mato Grosso ganhou importância, com o desenvolvimento da atividade agropastoril, centrada na pecuária bovina. Ao fim da Guerra da Tríplice Aliança contra o Paraguai (1870), novas perspectivas se abriram para a economia da região, com a definitiva abertura da navegação pelo rio Paraguai, que passou a permitir a ligação entre Mato Grosso e o Atlântico, via estuário do Prata.
Ao longo da primeira metade do século XX, consolidaram-se as relações diretas entre a região e o Sudeste brasileiro, por meio, inicialmente, da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil e, em seguida, por meio das estradas de rodagem. Assim, pode-se dizer que esse antigo sul de Mato Grosso, tal como o conjunto da Região Centro-Oeste, integrou-se, à expansão das atividades econômicas e de negócios do pólo industrial localizado no Sudeste brasileiro, exercendo, sobretudo o papel de fornecedor de bens primários.
Durante esse processo, a região agregou populações indígenas, migrantes paulistas, mineiros, nordestinos, sulistas, paraguaios, bolivianos e outros imigrantes estrangeiros (europeus, sírio-libaneses, japoneses).
O crescimento populacional e o aumento das demandas da sociedade levaram ao estabelecimento da primeira universidade nessa região: a Universidade Estadual de Mato Grosso (UEMT), sediada em Campo Grande, que se transformaria, após a criação do Estado de Mato Grosso do Sul, na atual UFMS. Entre os vários campi dessa Universidade, estava o de Dourados, que começou a funcionar em 1970. Esse campus, inicialmente de dimensões bastante modestas, passou a apresentar um elevado índice de crescimento, sobretudo nas décadas de 1980 e 1990, devido ao dinamismo econômico da região. Dourados situa-se como a cidade-pólo de uma ampla área, que corresponde ao sul do Estado, referida como Região da Grande Dourados. Essa área foi mais intensamente ocupada por povoadores não-índios, depois da Guerra do Paraguai, mediante atividades agropastoris e extrativas (erva-mate).
Na década de 1940, a região foi objeto de importantes políticas do governo federal, que levou um ramal da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (de Campo Grande a Ponta Porã) e implantou um grande projeto de assentamento conhecido como Colônia Agrícola Nacional de Dourados (CAND). A implantação dessa Colônia foi seguida por um intenso movimento de criação de colônias estaduais e particulares, que gerou uma intensa especulação fundiária e contribuiu para absorver expressivos contingentes migratórios de outras partes do País, especialmente nordestinos, mineiros e paulistas, entre outros tantos trabalhadores rurais que migraram em busca de oportunidades e negócios. A implantação da Colônia permitiu uma ocupação territorial calcada na pequena propriedade, porque tinha como objetivo a “nacionalização” da faixa fronteiriça. Nessa área, formou-se uma rede de núcleos urbanos que tem como centro dinâmico a cidade de Dourados.
Apesar da tendência à concentração da propriedade rural ocorrida nas últimas décadas, a estrutura fundiária herdada da CAND constitui, até hoje, um importante aspecto diferenciador da Região da Grande Dourados em comparação com a estrutura latifundiária, que caracteriza o conjunto do Estado de Mato Grosso do Sul. Hoje, essa Região, embora mantenha características de policultura, destaca-se pelos elevados índices de produção agropecuária, direcionada à exportação, decorrente de seus solos férteis e clima propício, fatores esses aliados a vultosos investimentos na moderna tecnologia agropecuária. Destaca-se, também, pelo desenvolvimento do setor terciário, aglutinador oriundo do processo de convergência dos recursos e negócios relacionados as atividades agropecuárias e agroindustriais da Região, via efeito multiplicador do investimento realizado.
Após a implementação do II Plano Nacional do Desenvolvimento Econômico, a região de Dourados consolidou-se como produtora de matérias-primas e alimentos, voltados também para exportação, e como área alternativa de desconcentração industrial. Assim atraiu plantas industriais e contribuiu para a transformação e a verticalização do processo produtivo agroindustrial.
No fim dos anos 1970 e inicio dos anos 1980, foram implantados vários programas de desenvolvimento, entre os quais, o Programa Especial de Desenvolvimento da Região da Grande Dourados, que era um programa do governo federal com objetivo de ampliação/promoção da produção e da produtividade. Assim, foram investidos recursos em pesquisa, que envolveram a implantação de uma unidade da Empresa Brasileira de Agropecuária (EMBRAPA) e do curso de Agronomia em Dourados.
Outra demanda de investimento foi para a eletrificação rural, que permitiu a incorporação das modernas técnicas de produção e agregou valor às terras da região, respondendo ao mercado emergente e crescente, da produção e exportação de produtos agroindustriais. Na mesma época, a cidade de Dourados foi inserida no Programa Nacional de Cidades de Porte Médio, que lhe propiciou receber investimentos em infra-estrutura intra-urbana, consolidando-a definitivamente como pólo de desenvolvimento regional.
O referido processo de modernização do campo produziu, ao longo das décadas de 1970 e 1980, notáveis efeitos sociais, sobretudo um forte êxodo rural, ocasionando para a cidade de Dourados novos problemas, relacionados ao expressivo crescimento populacional urbano. Entre eles a presença de numerosa população indígena “confinada” em pequenas reservas, provocando dificuldades para a adaptação a um meio em constante mudança. E, a intensificação do uso produtivo do solo que gerou graves impactos ambientais, pelo desmatamento e contaminação dos mananciais com substâncias químicas nocivas.
Dessa forma, a cidade de Dourados, a segunda mais populosa do Estado, é uma das mais estruturadas em termos do oferecimento de bens e serviços, atendendo a grande região do sul do Estado. Essa estrutura econômica, vinculada à agroindústria regional e de grande volume de negócios realizados, principalmente no nível primário e terciário, permitiu que Dourados fosse considerada a quarta cidade média brasileira com maior índice de crescimento no país, no período de 1996-2000. Estava posicionada, em 2007, entre as cem melhores cidades para se trabalhar no país. Esses fatos impulsionaram o crescimento do Campus Universitário de Dourados, atualmente UFGD.
Considerando as condições geográficas e o crescimento econômico dos últimos anos, pode-se afirmar que o potencial de expansão do sistema universitário público federal, na Região da Grande Dourados, ainda está longe de ser esgotado. Hoje, esta região já conta com duas instituições públicas de ensino superior (UFGD e UEMS), além de outras quatro IES. São aproximadamente 20 mil vagas, no ensino superior, para um contingente de cerca de um milhão de habitantes, o que equivale a uma vaga no ensino superior para cada 50 habitantes. Ressalta-se que apenas 1/3 dessas vagas são em Universidades Públicas e gratuitas.
No contexto do programa federal Avança Brasil (PPA 2000-2003), a cidade de Dourados e seu espaço regional foram inseridos no Eixo Sudoeste, que têm como função essencial a integração territorial com os países limítrofes. Constitui-se em espaço geográfico privilegiado em termos de vantagens locacionais: está próximo da dinâmica do Sudeste, pode exercer função estratégica no processo de desconcentração da produção e ser catalisador de investimentos que potencialmente poderiam convergir para aquela região. Além disso, na concepção governamental, o Eixo Sudoeste tem a função estratégica de eficiência e competitividade, capacidade de difusão, importância do setor terciário, desafio do desemprego estrutural e integração com o Mercosul.
Assim, no interior dessas diretrizes estratégicas, a formação profissional, com a ampliação das pesquisas e dos estudos na área de Economia insere-se positivamente, na medida em que produz conhecimento acadêmico sobre essa realidade. Trata-se de um espaço e de um mercado, composto de uma rica diversidade de agentes e setores que abriga uma modernização contínua em busca de competitividade, que deve ser incentivada pela Universidade.
A cidade de Dourados e seu entorno têm suas potencialidades econômicas representadas pela infra-estrutura já instalada, assentada numa malha rodoviária bem estruturada; pela alta produtividade agropecuária e agroindustrial; pelo potencial de profissionais qualificados e mercado regional que devem solidificar a agroindústria, a indústria tradicional e o desenvolvimento de negócios interrelacionados, sobretudo ao setor de serviços. Assim, a expansão do ensino universitário público em Dourados, com a criação do Curso de Economia da UFGD, poderá assumir sistematicamente a função, no contexto regional, nacional e internacional, de laboratório e núcleo difusor da compreensão econômica e social, das experiências e prospecção de cenários e negócios e do funcionamento dos setores econômicos da Região da Grande Dourados[1], em busca de mercados nacionais e internacionais.
Por fim, a constituição de um Curso na área de Economia, alinha-se com a Faculdade de Administração, Ciências Contábeis e Economia (FACE), na medida em que compõe o tripé de cursos normalmente presentes em Faculdades deste porte, quais sejam: Administração, Ciências Contábeis e Economia. A presença do curso de Economia fortalece o ensino, a pesquisa e a extensão nesta Faculdade, dada a proximidade dos Cursos dentro da Área de Ciências Sociais Aplicadas, onde se espera um aumento de pesquisas multidisciplinares com a participação dos profissionais desta área.
Em termos externos à FACE, o curso de Economia visa atender a demanda de outras Faculdades que possuem em sua matriz curricular disciplinas de formação básica na área de Economia; e, também, intensificar a interdisciplinariedade em projetos conjuntos de pesquisa e extensão que permeiam o campo econômico e social.
No ambiente ¨extra-muro¨ da UFGD, a presença de profissionais da Área de Economia, quer docentes, quer formados, enriquece o entendimento do Agronegócio e dos setores econômicos, como um todo, na Região da Grande Dourados. Compreende também, a formulação de diagnósticos e prospecção de cenários e negócios regionais nos seus desmembramentos e interrelações com a conjuntura nacional e internacional. Enfim, constitui-se em catalisador da geração e disseminação do conhecimento, no entendimento e ação sobre a realidade do desenvolvimento social.
[1] Desde a delimitação espacial realizada pela SUDECO (PRODEGRAN) e da maciça divulgação, desencadeada pelos meios de comunicação, a terminologia Região da Grande Dourados, consolidou-se no imaginário popular, abrangendo a porção sul do território que hoje constitui Mato Grosso do Sul. Em razão disso, o Instituto de Planejamento de Mato Grosso do Sul (IPLAN/MS), em 2000, por ocasião da elaboração de seu plano de desenvolvimento regional, dividiu o território estadual em oito regiões de planejamento, mantendo, nesse conjunto, a denominação Região da Grande Dourados para o espaço geográfico cuja cidade-pólo é Dourados. Embora a delimitação proposta pelo referido órgão de planejamento englobe apenas 13 municípios, não representa, de fato, a área polarizada pela cidade de Dourados no contexto social, econômico e cultural do Mato Grosso do Sul. Haja vista o fluxo de acadêmicos que convergia antes para o Campus de Dourados da UFMS e agora, para a UFGD, extrapola a região da Grande Dourados, tal como definida pelo IPLAN/MS, abrange outras regiões concebidas pelo mesmo órgão, como é o caso das regiões denominadas Sul-Fronteira e Leste. São considerados como componentes da Região da Grande Dourados 37 municípios.
